segunda-feira, 25 de maio de 2009

Atalhos


Caminho sob mim próprio,
há tenazes que me abrangem
subtil, docemente.
Entre as palmeiras
fugas de brisa,
de poeiras de cor fosca.
A terra afunda-me,
o mar ocre,
desvenda-se em laivos de vapor,
enquanto a vida se espelha.
Houve dor queimando as secas matrizes.
Balançou o pesar entre as silvas.
Os montes anexos,
os juncais,
trepavam-se e soldavam os cumes.
Fiquei estático.
sabia que a urze
cercaria os meus caminhos,
qual serpente bífida,
tricéfala.
Bastei-me,
Apenas o gosto da vida,
em paisagem morta, espúria.
(imagem retirada da net)

1 comentário:

Graça Pires disse...

Caminhar sob si próprio. Afundar-se na terra. Saber que a urze
cercará os seus caminhos... Um poema cheio de sentimento e muito belo.
Um abraço.