terça-feira, 9 de junho de 2009

(...) secreto...

(...) quero pousar,
em fio de arco,

rasar a terra,

baixar em clemente campo de flores.

Há um lugar imenso,

secreto,

tal jardim de Allah.

Recolho-me na sua entrada insuspeita.

Entre frondosas incógnitas,

entre arbustos alvos,

passo sorrindo;

estou só, pois.

Há um poente entre os roseirais,

enfronho-me em mim,

qual bicho em demanda de si.

Esquecidas as ruelas

abrem-me os braços;

fico na entreaberta posse de mim.

Passo por mim próprio,

miro o Sol rendilhado,

parca nesga do seu lumiar.

Em adolescentes bocejos

perco-me na preguiça do silêncio.

Nada se ouve,

nem cascatas de tritões,

nem chilreios doces;

apenas eu,

abraçando este meu jardim secreto,

este eu que se volatiliza em meigos mimos...

(imagem retirada da net)

1 comentário:

Paula Raposo disse...

Muito bonito este poema. Achei-o doce, tão doce! Beijos.